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Novidades Velhas

Antônio Lopes de Sá

Pode parecer um paradoxo, mas várias coisas hoje apresentadas como “novas” são eventos que há muito tempo já eram conhecidos.

Novo, sim, em sentido concreto é o que rompendo com a tradição, motivando procedimento jamais tentado, colabora para que melhoria ocorra em relação ao que anteriormente era feito.

Entre o modificar tradições e o evoluir existem diferenças a considerar.

Nem tudo o que é dito “novo” é deveras “novidade” no sentido de progresso.

Algumas ocorrências que são dadas como “evoluções” na realidade já foram até fracassadas tentativas no passado, consideradas como irrelevantes em suas épocas ou bloqueadas por interesses de grupos de usurpação e domínio do poder.

A ignorância sobre a “história do conhecimento” é responsável pelo episódio, em todos os ramos e disciplinas culturais.

A experiência vivida nem sempre é conhecida e, pior ainda, nem sempre ensinada e difundida.

Assim, no Direito, não é “novidade” o uso da informática nos dias atuais, pois, já em 1991 era ensaiada; na Contabilidade o que se está apresentando como revolucionário em matéria de Normas são coisas existentes há dezenas de décadas e que criaram sérios problemas; as técnicas de injeção de anticorpos, tidas como modernas na medicina já eram conhecidas há mais de um milênio pelas civilizações precolombianas; o uso do vapor que acelerou a evolução industrial no século XVIII da era cristã já era conhecido havia milênios na civilização egípcia.

A experiência dos antepassados deveria ser aceita como a de um livro sagrado.

Grande parte dos erros que se comete resulta de desconhecimento, ou seja, de ignorância sobre o que já foi feito e experimentado.

O valor da colaboração que a vivência traz em uma família, empresa, associação, escola, poder público, seja aonde for, é algo precioso.

O desprezo pela sabedoria adquirida decorrente da vivência tem causado sérios danos.

Associar a força dos jovens, o entusiasmo deles, a ambição sadia que possam ter, com a vivência dos mais idosos, buscando um equilíbrio, é a fórmula certa para o sucesso, esse que garantiu a empreendimentos, nações e sociedades muito sucesso.

Dirigentes que se tornaram famosos na história das civilizações tiveram sábios conselheiros experientes.

Alexandre, o grande, apoiou-se no sábio Aristóteles; os Médici famosos pela força financeira ampararam-se em Benci; os Sforza estearam-se em Leonardo da Vinci e Luca Pacioli; Mauricio de Nassau escorou-se em Stevin.

A proteção que a sabedoria pode dar está calcada na vivência, na racional conexão entre o observado e o pensado.

Todos nós necessitamos em momentos importantes, difíceis, de aconselhamentos baseados em experiências, pois, essa é a forma de errar menos.

Isso não implica abandonar a confiança que se deve ter em si mesmo, mas, especialmente em reforçá-la com o aconselhamento sábio dos que por longo tempo experimentaram o bem e o mal, disso extraindo máximas de vida.

Nem sempre o que é apresentado como “novo”, portanto, merece de imediato uma confiança, a menos que egresso de mente que pela reflexão possa assegurar o sucesso.

Em minha vida profissional presenciei inúmeros fracassos de empresas que se deixaram levar por “novidades” que provinham do mundo anglosaxão como “maravilhas”, acobertadas por larga pressão da mídia remunerada para isso.

A vocação de acreditar em tudo o que se lê ou ouve tem sido a culpada por muitos fracassos dos que se aventuram impressionados por mentiras maciças e habilidosamente urdidas.

As coisas apresentadas como “evoluções” precisam de cautela para que sejam adotadas...

Muito do que se apresenta como “novo”, como o “melhor”, até como “única solução” é ressurgimento de antigos fracassos, apresentado em roupagens sofisticadas...