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Excesso de Importância


Antônio Lopes de Sá


Fato ocorrido há décadas vez por outra me vem à mente.

Existem acontecimentos em nossa vida que marcam, fazendo parte do curso da existência.


Lembro-me que o mencionado ocorreu quando eu ainda possuía escritório de execuções contábeis.


Necessitando adaptar um trabalho para um cliente às exigências do governo e sabendo que ilegais eram as imposições que estavam sendo feitas, admiti que um diálogo pudesse ajudar.


Jamais havia eu requerido uma audiência com certa autoridade do executivo.


Minha intenção não era a de pedir coisa alguma, mas, sim, dialogar sobre uma sugestão.


Mesmo apelando para as vias normais de acesso ao referido “Superintendente” o referido manifestou-se mais “Super” que “Intendente”.


Contava eu com amizades de hierarquia superior à do referido funcionário, mas, não tinha apelado para as mesmas, pois, por medida prática sabia que seria chamado para o diálogo o mencionado funcionário.


Comentando com alguns colegas sobre a questão todos me disseram que jamais haviam conseguido aproximação fácil com aquela autoridade, pois, fazia-se de “muito importante”.


Mesmo necessitando nunca foi meu hábito utilizar de pressões para conseguir objetivos.


Sempre entendi que as conquistas na vida, especialmente as relativas a relações humanas devem pautar-se por sinceridade e respeito.


Ademais, também sempre acreditei na espontaneidade das aproximações, raramente apelando para “recomendações” ou comprometendo alguém por indicar-me.


Menos por duvidar que recomendações sejam úteis e mais por recolher-me a um feitio próprio evitei ao longo da vida utilizar o favorecimento de amigos.


Mais ajudar que a pedir ajuda pautei por tal norma minha conduta.


O assunto, todavia, que tinha por resolver possuía prazo e se ultrapassado terminaria por prejudicar o meu cliente.


Rompendo, pois, o que habitualmente me caracterizou, fiz uma ligação telefônica para uma autoridade maior e pedi o contato, mas, não revelei que o tal superintendente estava sempre evitando receber-me.


Prontamente fui atendido.


Não sei por que razão o referido funcionário foi alegando que eu não precisaria apelar para maior autoridade para que fosse recebido.


Respondi polidamente que para tratar com quem tal responsabilidade possuía um meio formal só reforçaria a solução e essa havia sido a razão de requerer fosse apresentado.


Foi como deitar álcool na fogueira, pois o aludido funcionário inflou-se como um pavão.


Sentiu-se nas nuvens, naquelas que virtualmente formavam o céu em que se colocava.


Sequer fiz menção às minhas anteriores tentativas em conversar com o mesmo.


Em diálogos devemos evitar reprovação ao interlocutor e confronto, pois, nada constrói de útil.


O assunto foi tratado como se eu fosse pedir a opinião dele, mesmo já tendo a minha formada através de muito estudo.


Formulei, todavia, as perguntas exatamente enfocando as bases que podiam levantar dúvidas e apresentei pontos relevantes que abalavam conceitos.


O sistema funcionou.


Com amenidade fui colocando os fatores complicadores do caso.


Obviamente a solução não saiu do encontro, mas, ficou aberto para reflexões.


Dias depois fui chamado para um novo diálogo e dessa vez era o “superintendente” que me convocava.


Não me nivelei em atitude e prontamente atendi.


Havia-se invertido o processo e ele passava a pedir a minha opinião.


Disso restou não só uma solução técnica, mas, especialmente uma experiência ética de rara valia.


Atribui a quem se dava tanta importância uma idéia de que o sentia deveras importante; mostrei que possuía meios para outros caminhos que poderia tomar por iniciativa própria, mas que respeitei para que a solução fosse pacífica e sem arranhões.


O fato de não aceitar ser mais importante que aquele que se dava “excesso de importância” terminou por fazê-lo “menos importante” no final do caso e a solução foi aquela que deveras favoreceu o meu cliente.