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Monólogos e ligações pessoais

Antônio Lopes de Sá

É agradável ouvir o que nos contenta e devemos falar com as pessoas sobre o que é da preferência delas, mas, o mesmo respeito que atribuímos é o que nos deve ser atribuído.

A natureza dos contatos deve definir a linha de conversação.


Quando o objetivo é “fazer passar o tempo”, “conquistar nova amizade”, é preciso que se mantenha a conversação em nível de reciprocidade.


Lembro-me de um fato que poderia ter sido a oportunidade de uma aproximação, como outras ocorreram em minha vida e que, no entanto, foi de distanciamento.


Quando me acomodei na cabine do trem que me conduziria de Paris a Marselha ao meu lado estava um senhor de meia idade.


Por algum tempo continuei a ler uma obra de Lyotard que adquirira em uma livraria do “Quartier Latin” enquanto o vizinho ia fazendo avidamente a leitura do “La Tribune”.


Depois de um silêncio prolongado finalmente aquele senhor dirigiu-se a mim perguntando-me que pensava eu sobre um recente e grande desfalque bancário que estava a perturbar o mercado.


Interrompi a minha leitura e respondi que na qualidade de profissional militante na área empresarial havia-me inteirado sobre a questão e emiti minha opinião sobre a debilidade dos trabalhos de auditoria quando por conivência ou incompetência deixam de acusar grandes falhas nas demonstrações contábeis das empresas.


Foi o suficiente para que o referido senhor não mais me permitisse um diálogo.


Falou o trajeto inteiro acerca de negócios e a pessoa dele nos mesmos, sobre as questões de mercado na França, os concorrentes no ramo em que lidava e o que ele iria promover em exportações.


Por duas vezes, em vão, tentei desviar o assunto para algo de maior interesse cultural e humano.


Aquele senhor só tinha um assunto e esse o obcecava.


Existem pessoas que só tratam de matérias que lhes interessa, esquecendo-se de que ao falar com terceiros é preciso “reciprocidade”, especialmente em primeiros relacionamentos.


Quando existe “monólogo” o relacionamento humano se esvazia.

 
Nada tão negativo, pouca coisa destrói tão fácil um contato social quanto o egoísmo monótono na conversação.
 
Monopolizar a conversação é isolar-se nela, logo, ao se marginalizar o interlocutor afasta-se a possibilidade de aproximação.

Contatos sociais devem ter a característica de reciprocidade.


Mesmo em relações profissionais é de bom alvitre manter uma atmosfera de descontração, de interesse humano.


Assuntos ligados apenas a aspectos pessoais se tornam desaconselháveis quando a conversa consiste em aproximar indivíduos.


Naquela viagem a Marselha referida lembro-me que quando me despedi daquele senhor deu-me ele o seu “cartão de vista” e entreguei-lhe o meu.


Jamais nos correspondemos, mesmo com todas as facilidades da Internet.


Nada nos ligou, mas, apenas, a mim confirmou que as pessoas dificilmente ganham a nossa simpatia quando fazem das conversações um monólogo que pouco ou nada se alinha ao nosso modo de ver o mundo.