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Restrições

Antônio Lopes de Sá

Não são poucas vezes na vida que revelando tudo o que sentimos muito nos expomos.

Nem todas as pessoas nos retribuem em sinceridade, nem todas respeitam nossos interesses.


A cautela, pois, deve presidir nossos atos e palavras, especialmente quando estamos eufóricos ou ao contrário extremamente abalados.


Revelações de nosso intimo, mesmo as verdadeiras, devem ser bem medidas.


Demos impor restrições a nós mesmos, especialmente quando o que conhecemos envolve responsabilidades especiais ou afeta tradições.


Assim, por exemplo, no exercício de funções que por natureza lidam com interesses de terceiros, como a de contadores, administradores, médicos, advogados, psicólogos, intermediários, ainda mais é preciso cautela com o que se diz e especialmente com o que se manifesta.


Mesmo na vida dos negócios é preciso limitar informações quando a manifestação delas possa causar danos a terceiros.


Existem casos em que a lei obriga a fidelidade informativa (como nos balanços das empresas), mas, também em que ela protege o que se tem sob sigilo.


Seja como for é preciso medir com serenidade e zelo ético o que escrevemos, falamos ou transmitimos sob qualquer forma.


Isso não significa que devamos ser tão “fechados” sobre nós mesmos a ponto de nos tornarmos insuportáveis pelo silêncio.


Boas comunicações não implicam “aberturas” irresponsáveis de nosso íntimo.


Muitas pessoas não pensam como nós e nem lhes agrada que imponhamos nosso jeito de gostar.


Apraz, sim, a terceiros ouvir o que lhes é agradável.


Ser atencioso exige nivelar a conversação com o interlocutor.


Nada mais importante para uma pessoa que ela mesma.


Se buscarmos nos diálogos identificação de pensamentos a vocação é de que sejamos bem recebidos.


Todavia, mesmo nessa condição ainda é preciso conservar limites.


Homens de grande talento sofreram hostilidades, ao revelarem tudo o que sentiam, usando de sinceridade em ambientes
que foram adversos às suas formas de ser.


O genial Christiaan Huygens (1629-1605) grande matemático, astrônomo e cientista holandês, um dos seres que contribuiu expressivamente para o progresso do conhecimento humano, terminou a vida como um ser solitário.


Embora filho de um diplomata não conseguiu obter da sociedade humana o mesmo acolhimento, nem ser tão hábil quanto o progenitor, pela forma de expressar idéias sinceras, convicta e abertamente.


A visão de Huygens era tão superior que só esse fator já o tornava distante da maioria das pessoas (geniais foram seus textos relativos à teoria da probabilidade, propagação da luz, sobre temas que a teoria quântica abraçaria séculos depois).


O campo da ciência, obrigando a expressão da realidade objetiva, tende a criar reações contra quem no referido se situa e tal fato, então, sempre requereu habilidades que nem todos os cientistas lograram possuir.


Mesmo a verdade demanda restrições expositivas, segundo a História comprova.


Exemplo expressivo foi o de Galileu Galilei, vítima expressiva de seus escritos, como foram tantos outros gênios.


O sucesso da convivência humana depende de habilidades que se fundamentam em atitudes comedidas que muitas vezes exigem reservas sobre o que “expressar”.


Não é tudo o que pensamos e sabemos que pode ser dito tal como realmente imaginamos, ressalvado o que seja obrigatório informar por força de dever.


Se até os sábios sofrem pelas idéias que apresentam, mesmo quando essas se comprovam verdadeiras, que dizer o que na vida comum poderá ocorrer com uma exposição sem restrições?