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Dualidade Exigivel

Antônio Lopes de Sá

Feliz de quem ao utilizar oportunidades recebidas as compensa com a oferta de outras a terceiros.

Isso significa nivelar grandezas: a permitida e a devolvida.
 
Tão digna é a doação do benfeitor quanto a gratidão do beneficiado.
 
A nossa passagem pelo tempo, em cada espaço, é um desafio cuja superação depende dessa contrapartida de amores que residem em atos de concessão.
 
O destino nos oferece permissões, mas, se outras a ele não devolvemos, ficamos em dívida, impossibilitando o cumprimento de nossa missão perante o cosmos.
 
A má utilização das oportunidades oferecidas pela sorte resulta em ingratidões perante o destino.
 
A ação sem a reflexão, despida de conhecimento, sem amor, são causas responsáveis pelas dores da humanidade.
 
O exercício da gratidão com a ação gratificante perante outrem se traduz em benevolência.
 
Até nações se erguem à custa de oportunidades oferecidas a alguns seres, quando esses possuem a dignidade do reconhecimento e a responsabilidade moral para com a sua gente.
 
Para lembrar um exemplo exuberante de oportunidade concedida basta evocar a história da pátria que gerou a civilização brasileira atual.
 
Segundo Alexandre Herculano foi o ensejo político e religioso que permitiu o nascimento de Portugal como Estado independente.
 
A expulsão dos árabes da península ibérica, movida pelos reis espanhóis, esses na ânsia de expansão, fortalecendo a faixa territorial da Galícia até o Tejo nos século X e XI, criou poderes especiais nas terras lusitanas.
 
Entrementes quando passaram a litigar entre si os espanhóis de Astúrias e Toledo, os nobres da região portucalense ao consolidar a faixa costeira criaram o ensejo da independência, pois estavam submissos ao reino de Leão.
 
Enquanto a Espanha se dividia, portugueses se uniam.
 
O “espírito lusitano” dimanou do amor dos filhos àquelas terras, amadurecendo precocemente o desejo de independência.
 
Tudo se derivou de um sistema; o idioma próprio criado, tradições locais e especial afeto pelas lindas paragens aonde a produção se intensificara; tais bases foram suficientes para gerar uma atmosfera “nacional”.
 
Não se fez necessário mais que meio século para que o então “Condado” de Dom Henrique e Dona Teresa, pela pertinácia de Dom Afonso Henriques, iniciasse uma série de batalhas bem sucedidas (como famosa ficou a de São Mamede, em 1.128, em Guimarães).
 
A oportunidade se consolidou com a conquista definitiva do Algarve (1249-1250) seguida daquelas de outras terras.
 
O destino traçou linhas firmes e valorosos seres as utilizaram com sabedoria, fazendo nascer uma pátria que em 1297 o rei Dom Diniz consolidou no Acordo de Alcanices (sobre as fronteiras de Portugal e Espanha, feito com Dom Fernando IV).
 
Posteriores desavenças entre Espanha e Portugal novas oportunidades dariam a Nuno de Santa Maria Álvares Pereira; tal herói conduziu o exército português a várias vitórias, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acabou por determinar à resolução do conflito, consolidando a posição política e social.
 
Não foi necessário sequer um século para que Portugal atingisse o esplendor (século XIV).
 
Se meditarmos sobre fatos tão aparentemente singelos é fácil concluir como existiram seres que bem souberam devolver as oportunidades que receberam, transformando o bem recebido em outro bem maior.
 
Quem duvida do dever de fidelidade perante aos ensejos que o destino traz tende a sofrer decepções, em razão do mau retorno que a própria sorte ao cobrar determina.
 
O egoísta é um pobre de alma que atenta contra a dualidade do equilíbrio dos fenômenos cósmicos.
 
Agarrar-se ás oportunidades implica, pois, criar deveres com as doações pertinentes, e, quanto mais se superar o recebido e tanto mais se voltará a receber, pois, tal saldo o destino não se esquece de pagar.