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O grande mistério da vida

Antônio Lopes de Sá

De onde viemos, para onde vamos, é a intrigante perquirição que há milênios povoa a mente dos seres, em geral.

Estudos recentes da Biogenética estão buscando conhecer a origem das espécies, partindo agora de muito mais recursos que aqueles que Jean Baptiste Lamarck e Charles Darwin dispuseram quando da revolucionária teoria que lançaram.
 
O grande mistério da vida, a razão pela qual existimos, tem sido nas reflexões dos homens de maior inteligência uma grande interrogação.
 
Explicações diversas, pela fé, pela razão, por conveniência de poderes, têm sido transmitidas ao longo dos milênios.
 
Há dois mil e quinhentos anos Buda ensinava que não deveríamos nos preocupar com tais coisas, mas, simplesmente em viver a vida presente seguindo corretamente princípios de virtude.
 
Se vivemos, se não somos os autores de nossas vidas, qual a razão de indagarmos sobre o que não fomos nós quem determinamos?
 
Sócrates, com sabedoria, sem afirmar, mas, sem negar, pelas palavras de Platão disse que se a morte é um sono eterno as preocupações e deveres se acabam; se a morte é um reencontro com entes queridos que se foram e a espera dos que virão, ela será um prêmio.
 
Há dois mil anos Marco Túlio Cícero, em sua obra sobre a Velhice, tratou com amenidade a questão, com referências nobres a eternidade da alma.
 
Ainda na Roma antiga, anos depois, Sêneca descartou tratar com vigor do assunto e afirmou que pensar na morte é morrer muitas vezes.
 
O instinto de preservação dos seres, todavia, fala mais alto e nos indagamos sempre o que virá depois da morte física e que proveniência tivemos.
 
Nesse campo, aliado à ciência, pensadores e cientistas como Alan Kardek, Willian Croocks, Jean Charon e outros não se limitaram ao campo da fé, aprofundando em indagações objetivas.
 
Essa interação entre a matéria e a energia, os limites de nossa percepção, continuam, todavia, oferecendo margens para constantes conjecturas.
 
Sabemos, por exemplo, que quando a gasolina, como combustível fóssil, é em um motor queimado, os átomos de carbono das moléculas dos hidrocarbonetos transformam-se em dióxido de carbono e deixam de estar atados uns aos outros nos átomos de tal molécula e se dispersam.
 
Ao mesmo tempo, na medida em que por efeito da combustão referida a matéria fica livre a energia também se liberta.
 
Duas transformações dos elementos que eram intimamente ligados seguem destinos diferentes.
 
Ou seja, o destino da matéria não é o mesmo da energia, mas, em comum possuem a libertação dentro do que estavam constituídos em um corpo.
 
Dispersada a matéria dispersada é a energia.
 
Embora isso não se opere com absolutismo rigoroso em todas as transformações a realidade é que a evolução cósmica se processa por um constante processo transformador.
 
O singelo exemplo que ofereci é um motivo de reflexão.
 
A desorganização que rege a transformação paradoxalmente é um princípio de organização de outros estados; o cosmos parece ter como essência a antítese, embora essa não se processe com uniformidade temporal e espacial.
 
Seja como for, ao acompanhar o que se passa nessa obra da qual somos infinitesimal parte, inspira-nos entender que somos frutos de transformação e que nos transformando outras ensejamos, nesse curso multiplicador da existência.
 
Possível é inferir, pelo exposto, que a libertação de nosso corpo pela morte deva ser uma libertação da energia que nos vitaliza.
 
Embora a lógica formal não seja de todo acolhida em matéria metafísica a questão é que a dualidade de causa e efeito, até que comprovada falsa, será sempre o nosso guia nas sendas e dédalos dos grandes  mistérios da vida.