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Vivência e Participação

Antônio Lopes de Sá

Existe um inequívoco compromisso com a vida que deve estar solidamente implantado na consciência ética.

Necessário é fazer da existência uma oportunidade de ser útil, contribuindo para a evolução própria, de terceiros e consequentemente para a do cosmos, esse no qual todos estão inseridos.
 
Requerido é pelo sentido da visão holística que fazemos parte de um imenso complexo o que nos cobra ser ativos, contribuindo para a evolução.
 
Digno de reflexão é perceber que até um organismo de uma só célula como a ameba luta por sobreviver cumprindo a função que outorgada lhe foi.
 
A mencionada, mesmo unicelular (embora seja um complexo) defende seu organismo contra elementos que possam ameaçar a sua sobrevivência, absorve o que lhe interessa e existe contribuindo dentro do que lhe é possível para o próprio equilíbrio, contribuindo com ambiente de cujo cenário faz parte.
 
Aumenta a nossa admiração sobre o sentido de tal viver o fato do aludido ser não dispor de sistema nervoso nem de cérebro no sentido em que o compreendemos.
 
Tudo isso permite admitir que entre o complicado sistema mental e a ocorrência da vida existem muitas coisas a pesquisar.
 
Parece espantoso o fato ocorrido, pois, nele a inteligência precede a própria existência do cérebro.
 
Isso significa que para existir ação inteligente não há necessidade de cérebro o que é deveras admirável e confirma a tese de que tudo se move por energias.
 
Como devemos situar-nos, pois, diante de tudo isso, como seres humanos aos quais tantos poderes foram outorgados?
 
A ciência moderna nos faz inferir que o fato de limitarmos o conceito de vida ao da existência do corpo prejudica o raciocínio reflexivo e holístico sobre o que deveras representamos.
 
Apequena, pois, a concepção de uma consciência ética o entender-nos confinados a um tempo sobre o qual mantemos um ilusório entendimento, como Einstein, quase às vésperas de sua morte escreveu.
 
Tudo sinaliza, em consonância com as conquistas da Biogenética, para uma continuidade de existência, ou seja, uma não interrupção do curso inteligente da vida.
 
As teses de Jean E. Charon sobre uma teoria científica do espírito vêm-se confirmando na análise das complexas estruturas do DNA cujo mapeamento ainda parece embrionário, mas, já competente para mostrar que o fluxo da existência é evolutivo e seqüencial.
 
Embora existam os que ainda insistam em limitar a vida da energia espiritual à do corpo que é a matéria, as convicções a respeito de tal posicionamento muito se têm abalado diante das conquistas contemporâneas havidas nas áreas científicas, como acenou o referido Charon com argumentos lógicos.
 
Os limites entre a consciência e a matéria, entre esta e o espírito,  apresentam ainda sérias dúvidas, quer quanto as origens, quer quanto a realidade de suas naturezas, face ao que possam representar perante a essência cósmica.
 
O compromisso com a vida é sem dúvida, nesse contexto, um fundamento, não apenas um argumento perante a doutrina da Ética.
 
Equivocam-se, pois, os indivíduos que imaginam ser a existência algo apenas transitório esgotável no curto prazo do que imaginamos ser toda uma história; nada se perde, mas, tudo se transforma, já lecionava Demócrito de Abdera há cerca de 2.400 anos; advertiu também o grande pensador que um destino é traçado e sobre ele pouca é nossa influência, embora vivamos para resolver necessidades.
 
Ou ainda, não somos os autores de nossas vidas, mas, estamos comprometidos com a existência que nos foi determinada.