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Oposição e ódio

Antônio Lopes de Sá

Mesmo não concordando com o que os outros praticam ou pensam isso não deve implicar falta de respeito a terceiros.

Constitui princípio de liberdade a livre manifestação de idéias e atos e todos têm direito de ser livres.
 
Devemos ser autênticos, insubmissos, virtuosos, em nossos pensamentos e ações, sem subtrair ou tentar sonegar tal privilégio a outras pessoas.
 
Exemplo maravilhoso disso a história nos legou.
 
Dois grandes adversários de Roma antiga criaram conceitos diferentes em razão do comportamento que tiveram.
 
Pirro (318 - 272 antes de Cristo) tornou-se tolerado pelos romanos, mesmo tendo ele imposto uma dura derrota àquele povo no sul da Itália.
 
Aníbal (247 - 183 antes de Cristo) era odiado, mesmo tendo sido derrotado finalmente por Cipião.
 
Pirro lutou para ajudar os vizinhos “tarentinos” e o fez movido pela solidariedade; foi honesto em sua luta, respeitando o adversário.
 
Aníbal, desde a infância odiava os romanos, tendo com eles sido impiedoso nas contendas, movido pelo sentimento de imposição, ou seja, o de anular o poder do adversário.
 
O fato de não se submeter à idéia de terceiros, de discordar, não deve ser motivo para gerar ódios, ofensas e agressões.
 
A virtude exige respeito na oposição.
 
Sempre agradeci aos opositores por destacarem pontos que mereciam reflexão de minha parte; ao defenderem seus pontos de vista muitos argumentos me ofereceram para que eu aperfeiçoasse os meus; procurando proibir a leitura de meus escritos terminaram por ajudar-me fazendo com que se tornassem mais atraentes.
 
Jamais vi como “adversário” ou “inimigo” quem pensou diferentemente de mim.
 
A oposição deve ser um fator de estímulo, jamais de cólera.
 
Sinceramente, sem simulação, devemos expor nossos pontos de vista sem pretender impor coisa alguma ou contrariar-se porque não são seguidos os nossos pensamentos.
 
O que não se deve ser é “omisso”.
 
Disse Sócrates, pelas palavras de Platão, que os deuses aos homens tudo perdoam, menos a omissão.
 
Na hora oportuna manifestar respeitosamente o que se pensa, ainda que seja contra o que é consenso de maiorias é uma virtude, terminando por conferir a quem o faz qualidades de sinceridade e coragem.
 
O indivíduo definido em atitude inspira respeito, mesmo quando em luta é derrotado.
 
O que de forma alguma se faz conveniente é prejudicar-se pelo ódio e atingir a terceiros porque pensam de forma diferente.
 
Biológica, mental e espiritualmente a falta de domínio das emoções muito prejudica, especialmente quando se manifesta pela cólera.
 
Com serenidade, pacificamente, é possível conseguir grandes vitórias, mesmo contra adversários poderosos, como as obteve Mahatma Gandhi em favor da Índia.
 
A mente perturbada enfraquece o poder de encontrar soluções e de convencimento sobre o que se expõe.
 
A satisfação que nos causa a vitória de nossas idéias deve existir também em ser respeitado mesmo quando não conseguimos sucesso na implantação ou consecução do que pretendemos ou pregamos como procedimentos ou formas de pensar.
 
Não há insucesso na sinceridade, há, sim, malogro em encolerizar-se, em desejar impor o que deve ser livre escolha de nossos semelhantes no tangente ao campo das idéias.