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Pequenas causas e grandes efeitos

Antônio Lopes de Sá

Coisas que às vezes julgamos de menor importância podem causar grandes efeitos, tanto positivos, quanto negativos.

Essa a razão pela qual devemos constantemente estar atentos a todos os atos praticados no relacionamento pessoal; fatos da história comprovam tal realidade.

Há 2.753 anos um pequeno grupo de camponeses fundou um vilarejo que se transformaria no mais poderoso império do mundo antigo, cuja cultura até hoje ainda se faz presente nos idiomas, letras, costumes e ciências.

A história romana, segundo o legado de Tito Lívio, começa com pequenos povoados presentes na Itália e que provinham de gregos, gauleses e germanos instalados singelamente na península há mais de 3.000 anos, definindo-se em pequenas povoações de semibárbaros dentre as quais estavam as dos Úmbrios, Latinos, Sabinos, Volscos e Samnitas.

Embora de expressão muito simples, com organização e muito amor à comunidade, conseguiram os Latinos formar a maior civilização que o mundo até hoje conheceu; deixando a localidade em que se haviam inicialmente acomodado e que era Alba, fundaram outra cidade no ano de 753 antes de Cristo; a nova urbe, plantada em uma colina, vizinha do rio Tibre, viria a ser a poderosa Roma, essa que se expandiu a custa de sucessivas conquistas (a primeira contra a própria Alba no singular combate entre três Horácios e três Curiáceos).

Assim como um simples palito de fósforo pode incendiar uma floresta, também singelos pensamentos e atos podem mudar a vida das pessoas.

As forças das idéias, dos comportamentos, mesmo aparentemente fracos podem transformar cenários.

Narrou-me um cliente que certa vez admitiu um funcionário baseado em um singelo detalhe; o jovem apresentara-se para ocupar uma vaga no escritório, mas, esta já havia sido preenchida uma hora antes.

Polidamente, depois de informado sobre a inexistência de lugar, o candidato ia se retirando quando viu um clipe no chão; o apanhou e imediatamente o devolveu, alegando que o mesmo poderia ser varrido e jogado ao lixo, o que seria um desperdício.

Esse simples gesto fez com que se admitisse o rapaz, esse que em pouco tempo assumiu a chefia de seu setor pelas efetivas qualidades demonstradas.

Um ato que pela aparência não tinha importância revelou um caráter que bem soube ser aproveitado por um empresário esclarecido.

Prestar atenção em detalhes é uma virtude, embora nunca se deva deixar de realizar grandes coisas por causa de detalhes, por paradoxal que possa parecer.

Os modelos mentais que arquitetam a consciência são em geral tão fortes que se revelam em apoucadas atitudes, essas que representam um verdadeiro modelo, este que maiores atos por natureza igualmente tende a promover.

Grandes relacionamentos se constroem com pequenas atenções oferecidas as pessoas com as quais lidamos, tanto direta quanto indiretamente.

Muitas conveniências se perdem na vida por não nos apegarmos a “pequenas oportunidades”.

Uma simples pergunta que no presente deixamos sem resposta pode representar a perda de um grande beneficio futuro.

Tudo possui importância, embora nem sempre de momento ela se revele em sua totalidade.

Nossa personalidade deve ser construída solidamente e em tudo devemos demonstrá-la, mesmo quando a maioria seja apenas guiada por imitação ou subserviência.

Muitos dos costumes se transferem por tradição, se transformam e evoluem de civilizações para civilizações; alguns alimentam crenças (como os romanos copiaram dos caldeus o hábito dos augúrios), outras atitudes são simples imitações (como os romanos incentivaram gladiadores por herança cultural dos etruscos que promoviam lutas como sacrifício aos deuses, embora, em Roma fosse uma perversa diversão).

No campo da virtude, entretanto, os hábitos dependem de uma sensibilidade que a mim me parece aferrada à natureza do espírito de cada ser, guiada a partir das bases éticas tais como as disciplinou há cerca de 2.500 anos o grande pensador Aristóteles.

Tudo, pois, merece atenção, obriga a análise dos comportamentos nossos e de terceiros, tenham os mesmos a importância que tiverem; jamais se deve imaginar que pequenas coisas não devam ser consideradas.

O julgamento que fazemos das pessoas, o que essas possam fazer a nosso respeito, é fruto de reconhecimento de valor e este de atribuição de qualidade.

Sendo o qualitativo o essencial e isso o que de fato uma coisa é, pouco importa o quantitativo que possa defluir.

As pequenas, as grandes atitudes, como expressões de essencialidade são competentes para definir a natureza dos seres humanos, pois, a parcela é da natureza do todo, isso porque não se pode somar o heterogêneo.