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O sobrenatural

Antônio Lopes de Sá

Sempre existiu uma tendência geral em acreditar em coisas “miraculosas” e “misteriosas”; que enigmas existem não há dúvida, mas, que sejam privilégios do conhecimento de seres sobrenaturais é uma questão a refletir.

Fundamentado na fraqueza de consciência indivíduos disso se aproveitaram para granjear poder e riqueza; existiram vários mistificadores que se tornaram famosos em seus tempos.

Impor certa dose de confiança, apresentar motivos honestos, mas, na realidade praticar o mal, auferindo vantagem em face da crença alheia, foi fato que se repetiu ao longo dos milênios e que continua a existir em nossos dias, apesar de todo o progresso das ciências e da comunicação.

A crendice apoiada na aceitação de maquinações chega a ser uma enfermidade social quando aquilo em que a coletividade acredita se fundamenta em falsidade.

Mentiras pregadas com convicção, repetidas vezes, apoiadas em aparências de lisura, sempre tenderam a ser aceitas como verdades.

Famosos tidos como “profetas” ou “gênios sobrenaturais” de há muito iludiram inclusive dirigentes de nações, mesmo quando os governantes se dedicavam com empenho à cultura.

Exemplo de tal anomalia foi na França, no reinado de Luiz XV (1715 - 1774), quando este deixou levar-se por algum tempo pelo Conde de Saint Germain, indivíduo que se tornou famoso como “curandeiro” e “advinho”; alegava o Conde ter vivido épocas remotas e como possuia poder financeiro e ótimo relacionamento, com facilidade chegou a intimidade no poder; o soberano o aceitou inclusive por influência de sua amante a madame de Pompadour que acreditava piamente em Saint Germain.

A influência do mencionado foi tão grande que chegou a gerar um adepto que o sucederia, o famoso “Conde Alessandro Cagliostro”.

Sob o manto de “União, Silêncio e Virtude” Cagliostro conseguiu inclusive fazer que a Maçonaria recebesse sua mulher Lorenza, entidade que só aceitava homens na época.

Pessoas que se dizem de cultura, seres de posição social e com poderes, mesmo esses se deixam iludir pelos “falsos poderes” de inescrupulosos.

O envolvimento que conseguem os referidos seres tidos como sobrenaturais é deveras significativo; muitas vezes o que na realidade possuíram poderia ter sido apenas o desempenho de forças da mente, inclusive as magnéticas.

Ninguém pode negar que o magnetismo realiza fenômenos comprovados cientificamente, mas, todos os seres humanos dele são possuidores; apenas não somos educados para utilizá-lo racional e praticamente.

As forças que podem ser emitidas pelo ser humano e a interação delas é fato inquestionável nos efeitos do hipnotismo; a hipnose tem sido inclusive explorada no campo das neurociências. Alguns profissionais adotam o referido recurso como tratamento para estimular a autoestima, curar a depressão, eliminar ansiedades e medos, em suma para modificar estados mórbidos cerebrais.

A exploração científica, honesta, de tais procedimentos, todavia, não se confunde com a do charlatanismo, nem com a daqueles que pela utilização de mentiras impõem falsidades.

Não foi incomum, entretanto, durante todo o curso da história o uso de um poder para eliminar outro poder, ambos, todavia, mergulhados nos princípios de lesão aos direitos humanos; o domínio que usou através da maçonaria, de seus aparentes poderes pessoais, Cagliostro empregou, também a “Inquisição” aplicou para anular Cagliostro.

O que se divulgou nos escritos dirigidos por Claude Bertin (volume 20, “O processo de Cagliostro”, edição Otto Pierre) sobre as audiências entre os Inquisidores do “Santo Ofício” e o Conde é algo que mancha as páginas da história em face dos direitos humanos.

Em ambos os lados prevaleceu o desejo de assegurar o poder, mas, também, dentro de um mesmo processo, ou seja, o de fazer crer em coisas que se admitiam como “sobrenaturais”.

O dano que tem causado à humanidade o abandono da razão, a falta de conhecimento e de reflexão, é deveras expressivo.

Em nossa vida prática, pois, o certo é raciocinar sobre o que simplesmente se ouve, fazendo exercer a capacidade vital de pensar, esta que nos foi outorgada pela vida, em vez de simplesmente depositar fé e esperança nos que se dizem superiores ou portadores de “poderes especiais”.

Em verdade em face do que ainda desconhecemos porque a ciência a tudo não alcançou, das oportunidades de comprovação não ensejadas, melhor é que nos acautelemos quanto a conceitos, deixando-nos guiar pela prudência.

Quanto ao verdadeiro sentido da existência do Cosmos ninguém é possuidor de conhecimento que o explique; é preciso, pois, reconhecer limites, sem arroubos inspirados em seres que se dizem “sobrenaturais”.

Tais demarcações referidas sugerem que não sendo autores de nossas vidas existimos para cumprir uma função para a qual fomos criados; se assim não admitir-se se estará colocando em dúvida a Inteligência Superior geratriz, em face de uma finalidade que mesmo sendo desconhecida por nós deve ter sido, todavia, determinada com sabedoria.