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Vigor da existência

Antônio Lopes de Sá

Não somos os autores de nossas vidas.

Há cerca de dois mil anos escreveu o pensador Marco Túlio Cícero que “nossas almas não são senão emanações da mente divina universal”.

Conscientes disso, por axiomático, duas coisas importantes de início ressaltam: 1) que uma inteligência superior geratriz de nossa existência está presente em nós e 2) que tal fato exige exercício de uma missão, ou seja, de objetiva utilidade.

Dispensável é qualquer privilégio de inteligência, crença ou fé para admitir que vivemos, somos decorrência de um ato superior de inteligência e que a utilidade é requerida como natureza do cosmos.

Nossa passagem pela terra traça, todavia, um curso que se manifesta na fragilidade da infância, exuberância da juventude, seriedade do adulto e maturidade prudente e sábia da velhice; nossas presenças possuem em geral características distintas.

Todas as etapas possuem seus encantos e desencantos de acordo com as linhas do destino e com as eleições dos caminhos que escolhemos dentro das limitações de nosso arbítrio.

A responsabilidade por existir aferra-se à da função que se necessita exercer; tal missão está gravada em nós com os privilégios dos dotes que nos são dados; o que nos é oferecido pelo destino, deste nos é cobrado.

Inércia, omissão, comodismo, astenia de propósitos, são graves doenças da alma e da mente que obstam o cumprimento do dever por existir.

Uma saga revela que um dia um viandante encontrou um lavrador idoso que sulcava a terra; observando o ancião que fazia seu trabalho sob um sol adusto cantando, maravilhado com o cenário, mas, não compreendendo o motivo perguntou ao velho o que estava a lavrar para o plantio; recebeu como resposta: “plantarei mangueiras”; o viandante então voltou a inquirir: “mas o senhor viverá para colher as mangas”? Pausadamente, enxugando o suor que descia pela face o ancião respondeu: “Certamente que não, mas, estou cumprindo a mesma função de utilidade que meus pais cumpriram quando deixaram as que possuem meu sitio”.

Tal atitude em conto revelada, similar ao de uma literatura do mencionado Cícero, apresenta um modelo de ética, de dignidade humana, ou seja, a relativa à dívida que uma geração adquiriu com a anterior e que deve resgatar com a outra que sucede.

Respondo a milhares de consultas que me fazem universitários e muitas das vezes, perante agradecimentos renovados de alguns a eles sempre informo que a mim nada devem, pois, estou apenas a pagar o que os mestres me ensinaram; afirmo, então, que o que estou a conceder de ajuda é uma dívida que o consulente passa a possuir com as gerações vindouras; sugiro que façam o que estou a fazer.

É preciso pensar como o ancião da saga que plantava para o filho colher.
Sendo, pois, o procedimento correto, algo ligado ao eterno é em termos de perenidade que nos obrigamos, e, também, nos beneficiamos.

Sendo úteis a terceiros somos úteis a nós mesmos.

Assim leciona a natureza, dessa forma dita o cosmos; desde o infinitesimal, até o macro mundo, tudo se rege por uma só lei - a dos sistemas, ou seja, a que se fundamenta na unicidade de ação aonde todos são interdependentes na constituição de um só evento, e, esse o continente de todos; do átomo a galáxia tudo é sistema.

Vigor da existência está em uma presença firme, rendendo utilidade, superando tempos e espaços, e, até a nós mesmos em regime de interação e integração, seguindo ao compasso da unicidade universal.