Home Fale Conosco Curriculum Livros
Artigos
Pesquisas
Informativos
Matérias
Contato
Álbum de Fotos
Indique este Site
 

O lado certo

Antônio Lopes de Sá

De acordo com os preceitos éticos a vitória do bem sobre o mal é a remuneração da virtude.

Isso, na prática, todavia, mostra que certas atitudes mal intencionadas, corruptas, assemelhem-se como vitoriosas.

Chega-se, então a duvidar de que o caminho do bem seja o conveniente.

Se tantos aproveitadores de funções estatais, do erário nacional, continuam vitoriosos, não estariam eles certos e os errados seriam os que lutam honestamente e praticam o bem?

O triunfo dos corruptos não seria um desestimulo aos seres dignos?

Sem jamais haver abandonado as minhas convicções de lisura, fruto de minha educação de berço, cheguei algumas vezes a refletir sobre a compensação que o mal atribuiu a pessoas que eu as admitia como indignas.

Fui comprovando, todavia, ao longo do tempo, nesta já minha longa vida, que os bens materiais roubados, conseguidos de forma ilícita, adquiridos com o sofrimento de terceiros traziam felicidade, mas, temporária; muitos foram os casos que comprovei de seres que amargaram mais tarde, enfrentando dificuldades de toda ordem, sem poder usufruir com alegria as facilidades que conquistaram com usurpações.

Tive a oportunidade de ver o quanto sábias tinham sido as palavras de Buda a respeito, proferidas há cerca de dois milênios e meio; esse grande pensador sobre a remuneração do bem ou do mal apelou para o tempo; afirmou que o retorno sempre acontece quando “amadurece o feito”, ou seja, quem está no bem, mas, tendo feito o mal, o mal receberá em troca tempos depois; quem tendo feito o bem, mas estando no mal, mais tarde receberá o bem.

O fato é que às vezes nos impacientamos, até nos revoltamos, vendo a mediocridade, a corrupção, fazerem vitoriosos aqueles que as praticam.

Não creio que o falsário Bernard Madoff, seu braço direito Frank Di Pascali, com o calote que armaram de bilhões de euros, sejam homens felizes, embora eu não os conheça pessoalmente; li, entretanto, o depoimento de Bernard quando afirmou se envergonhar do que fizera e que não sabia como encarar seus descendentes; as imagens que vi pela TV do já idoso Madoff, fisionomicamente mostravam um ser derrotado.

Só psicopatas resistem aparentemente aos revezes advindos de suas ações criminosas, mas, estes não se incluem na normalidade dos seres.

Historicamente, homens perversos, odiosos, como Calígula, Nero, Hitler, Stalin, Mao e similares foram duramente castigados pelo destino.

Tenho fortes convicções de que a idéia do bem é mais forte que a do mal.

Nem todas as pessoas, todavia, sabem reconhecer o bem que lhes fazemos, nem todos estão dispostos a retribuir favores concedidos; isso poderia permitir entender que o bem praticado ficaria sem retorno.

A benevolência, todavia, não é um ato material, mas, sim de amor, pertencendo ao campo da energia e regendo-se pelas leis desta; o que atribuímos a um ser que não nos devolve em afeto ou fidelidade vamos colher em outro que às vezes sequer imaginávamos pudesse existir.

Em contrapartida os que são omissos com o que lhes damos acabarão, por encontrar os frutos da omissão em outros tempos em suas vidas.

Em verdade nunca devemos beneficiar alguém esperando retorno ou troca, pois, isso não seria um ato de amor, mas, sim de cobrança, nesse caso de inválida expressão espiritual.

Em verdade, em síntese, o que doamos a terceiros estamos doando a nós mesmos, habilitando-nos a receber sempre mais.

Somos frutos de muitas coisas que nos foram doadas, inclusive a do poder de existir; a nossa dignidade estará sempre, pois, em devolver o recebido com atos amplos de amor, pois, só assim se pode promover o equilíbrio da existência.