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Inesperado

Antônio Lopes de Sá

O que se admite como “inesperado” sugere útil reflexão.

Coisas que nos causam “surpresas”, agradáveis ou desagradáveis, merecem considerações especiais, mas, dentro de uma realidade de concepção sobre a vida.


Nem sempre, todavia, se analisa o “porque” do “imprevisto”.


Eventos inusitados, entretanto, podem ter origens em nossos próprios pensamentos, preces e ações pretéritas sobre as quais já não se guardam lembranças, mas que não se perderam.


Não são poucas as coisas que julgamos perdidas e que se encontram em transformação.


A experiência de uma já longa vida fez-me duvidar do “acaso”; de há muito deixei de acreditar em “coincidências” e “surpresas”.


Boa razão a tinha Einstein para afirmar que “Deus não joga dado”.


O destino parece não ser um “cassino”, nem uma “bolsa de valores”; em vez de “probabilidades” tudo me mostrou que os fatos se estruturam em “realidades inexoráveis”.


Carece, pois, admitir que uma “justiça objetiva” se traduza no que julgamos apenas como “inesperado”, como se fosse uma linha traçada em segmentos inteligentes, dentro de um processo cósmico evolutivo.


Tudo leva a admitir que além do lógico convencional uma essência evolua por transformações constantes no tempo e no espaço, em limites e razões ainda inalcançáveis mesmo pelas mais ousadas concepções do ser humano.


Percebemos, supomos, sentimos, deparamos com a inexorabilidade do nascimento e da morte; esforçamo-nos por ver na vida um conjunto de momentos que permitem alguns entendimentos, mas sem dissolver as incógnitas que seguem povoando nossas mentes.


Em meus já tão muitos anos vividos, testemunhei que a benevolência do destino é a mesma que ele exige que cumpramos; que a malevolência é apenas um destaque para que seja a antítese compreendida; se a vida é uma doação com doações devemos cumprir a vida.


O receber e o dar por paradoxal que pareça são uma coisa só - a resolução da existência; não há duplicidade no caso, mas, apenas, exercício da essência de que somos feitos.


Isso porque em toda afirmação existe contida uma negação e viceversa; seria impossível conceituar o mal sem conhecer o bem; jamais existiríamos sem uma doação que ensejasse a vida, sem a exigência de uma participação do gerado como participante.


Não foram poucas as ocorrências desagradáveis que vivi e que as imaginei como “surpresas”; mais tarde, entretanto, constatei que se tais supostos aborrecimentos passados não tivessem sucedido, muita coisa agradável, positiva, não teria eu conseguido depois.


Muito do negado foi preâmbulo para o que de bom me seria ofertado mais adiante.


Aprendi que “milagres” não se esperam, mas, sim, se conquistam.


Tenho hoje a convicção de que por maiores que sejam os obstáculos eles devem ser sempre menores que a vontade de superá-los pela luta, com doações de sabedoria e amor.


Só se alcança plenitude de razões quando se entende que tudo é a gente, e, a gente é tudo, como parte de um todo que forma o próprio todo, em um processo de integração e interação.


Só ao negar o amor, esse DNA do espírito, se reduz a importância e o significado do existir.


Hoje não alimento mais dúvida em meu espírito de que o destino influi sobre nós, mas, nós, também, sobre ele influímos; em razão disso, sendo efeitos também somos causas, nessa dualidade que parece a tudo governar para a manutenção de um equilíbrio operado por antíteses.


As surpresas, pois, em realidade “não são surpresas” porque o natural não é surpreendente e constitui a essência da qual fazemos parte; não existe o inabitual; é a débil concepção de tempo e de espaço a que em nós confunde conceitos.

A vida não é um “acidente” e nem se edifica através de somatório de acidentes.

Não podemos deter escopos cósmicos maiores; assim sendo, mesmo se algo não se esperar, se determinado pelo destino, isso não deixará de vir pelo efeito da simples omissão de nossa vontade ou conjectura.


A noção de futuro é decorrência apenas de uma relação entre o que somos e a matéria em que habita por empréstimo a essência que nos vitaliza; o prazo do corpóreo parece não ser o mesmo do incorpóreo.


Não são os fatos que se passam... Somos nós que por eles vamos passando.


Não é a existência que nos pertence, mas, sim somos nós que a ela pertencemos.


Como vivemos do que pensamos de maior utilidade será sempre entender como natural o que ilusoriamente recebemos como inabitual.


Assim será possível aceitar o “inesperado” dele extraindo toda a essência, entendendo o mesmo como fruto de energias que ejetamos e que injetamos em um regime de interação e integração que executa um planificado curso sistemático do cosmos; este cujo alcance final se encontra muito além do escasso limite de percepção permitida à nossa compreensão.