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Futuro da profissão contábil e novos controles sobre o mercado

A imprensa comenta sobre a enérgica ação que o governo Obama deseja fazer no mercado de capitais.

Os efeitos perversos dos abusos praticados pela liberalidade concedida pelo próprio poder governamental, as omissões relevantes, parecem agora fazer despertar a consciência dos dirigentes públicos; um razoável passado de acumulados erros.

A edição do jornal “Le Figaro”, da França, do dia 18 de junho de 2009, estabelecendo um interessante resumo sobre as referidas providências do novo Presidente estadunidense dedica-se, entre outros pontos, a comentar sobre os famosos “derivativos” e a falta de controle sobre os papeis financeiros que resultou na cruel macro crise.

Fantasiosos valores apresentados como lucros, patrimônio falso, situações virtuais demonstradas como se reais fossem, produziram um nefasto acontecimento de alcance mundial; as notícias veiculadas, todavia, não enfocam diretamente o “calcanhar de Aquiles” dessa relevante questão, curiosamente.

Sem um controle responsável da informação contábil será inviável impedir novas crises, mas, isso requer intervenção no sistema normativo pertinente.

A flexibilidade existente no regime de avaliação, a quantidade de alternativas de procedimentos, a complexidade burocrática de “formas”, sem base científica, ao arrepio das leis, cria um complexo daninho, lesivo à qualidade informativa sobre as situações patrimoniais e lucrativas das empresas.

Pior, ainda, tem alimentado indecisões, insegurança e insatisfação em meio da classe contábil, segundo vasta indagação que tenho feito e cujas respostas muito preocupam.

Muito longe de ser um progresso profissional o processo que está sendo adotado, com imagens referidas como as de “industrialização da Contabilidade” (como ato de negociar normas), se mantidas, ensejarão problemas futuros.

No exterior tal sensibilidade está expressa em artigos e pronunciamentos públicos, focados por grandes autoridades como o professor Rogério Fernandes Ferreira, este condecorado com a maior ordem cultural há dias pelo governo de Portugal, por mãos do Presidente Cavaco Silva.

Nesse particular, portanto, está ocorrendo algo paradoxal e singular; enquanto no Brasil tudo se apresenta como pacífico e se editam apressadamente normas, nos próprios locais aonde as referidas são expedidas (FASB, nos Estados Unidos e IASB, na Inglaterra) existem questionamentos, segundo o noticiário especializado (como, por exemplo, o editado por CFO.com, dos Estados Unidos, de Alix Stuart de 17 de junho de 2009, sob o título “Will the new FASB Code change Accounting?); a nota informa que mesmo passadas já semanas das novas codificações elas permanecem desconhecidas, ampliando dúvidas que ainda persistem.

Muitas são as publicações que lançam interrogações; várias continuam sendo as discordâncias apesar de toda influência na mídia, nas entidades, para que se evitem confrontos, cerceando o tanto quanto possível a difusão de contraditórios; o diálogo não parece ser a metodologia dos normatizadores; o que se diz haver consenso não se sabe que percentual de acordo representa em face da totalidade dos intelectuais da Contabilidade.

Cheguei a ouvir até um comentário hilariante, mas, depreciativo a respeito, sobre o temor que os vampiros possuem da luz (fazendo metáfora sobre os agentes dos especuladores e os críticos).

Há uma inequívoca manifestação de interesse por novos controles, mas, grupos de influência parecem continuar agindo pesadamente para evitar as mudanças no regime falho que sustentou a macro crise, e, até investindo para implantar reformas no ensino de modo a influir sobre os futuros contadores.

Enquanto a notícia veiculada no “Le Figaro” informa (como outros periódicos também) que o presidente dos Estados Unidos deseja aumentar o poder do Banco Central, outros reagem e se insurgem contra tais controles; ao mesmo tempo em que se acusam as normas como responsáveis por acobertar informações falsas, uma mídia insistente age em sentido contrário.

Que para sanear é preciso obstaculizar a especulação, esta que aplicou um calote de trilhões no mundo não há dúvida, mas, também, em tudo o que contribuiu para isso, como foram as falsas informações contábeis baseadas em normas; a questão está, todavia, em conseguir colocar um freio na disparada especulativa que não cessa e que deixou brasas acesas sob as cinzas do macro cataclismo que produziu ciclópicos desastres financeiros de trilhões de dólares.

O futuro da profissão contábil muito depende do posicionamento educacional, não apenas científico, mas, especialmente ético; nisso se incluí a política das empresas de serviços e instituições da classe e incisivamente o papel dos líderes culturais; entendo como aético adotar, emitir e veicular opiniões que estejam alheias a realidade, esta que fez da falsa informação contábil um anteparo para uma situação de desequilíbrio financeiro mundial.

Aqueles que possuindo títulos e experiência, que ganharam certa posição social e profissional, possuem obrigação com o social e a verdade, esta, que não precisa de maiores argumentos para evidenciá-la senão o que estamos a comprovar pelos efeitos perversos de um macro problema derivado de crise vultosa e vultuosa.