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Dupla Face da Dúvida

Antônio Lopes de Sá

A dúvida tem duas faces; uma que vem da emoção, outra da razão.

A emocional é mãe do medo que gera a insegurança, que alimenta o sofrimento.
 
A racional é mãe da análise que gera o conhecimento, que alimenta a ciência.
 
Duvidar, portanto, pode ensejar fracasso ou, então sucesso, dependendo de como nos situamos perante as coisas.
 
A dúvida racional nasce do desejo de conhecimento; a dúvida emocional nasce da fuga ou recusa de reconhecimento do poder que possuímos pela vontade.
 
Está em nossa capacidade de confiar, pois, o sucesso ou o fracasso perante o ato de duvidar.
 
O medo é talvez o maior vilão de nossas vidas; temer é recusar a admitir que se possua força para enfrentar as naturais dificuldades da vida; buscar soluções para aumentar o que já se sabe é, todavia, ser capaz.
 
A dúvida pode ser porta aberta para o mal e para o bem, dependendo da forma como se apresenta, da maneira como é considerada.
 
O receio se destrói com confiança; solução se encontra com tranquilidade e perseverança.
 
A falta de crença em si, no destino, na verdade, na vida, sustenta os temores e torna incapaz o ser humano.
 
Acreditando fortemente em si, entendendo estar ligado aos deuses, acreditando no destino, Alexandre, o Grande, foi um conquistador que nunca perdeu uma só batalha, das muitas e terríveis que enfrentou; jamais duvidou que pudesse vencer.
 
Pasteur, lutando contra tudo o que em seu tempo era tido como certeza, alimentou a dúvida sobre a geração espontânea e obstinando-se nas investigações se tornou o pai da Microbiologia.
 
Seja, pois, qual for a face da dúvida (vencida emocionalmente por Alexandre, vencida racionalmente como a de Pasteur) ela se resolve com capacidade de crenças.
 
O admitir que se esteja associado a recursos sem limites, a consciência do próprio eu, o sentimento de que se vive para ser útil e que na defesa da verdade nada pode faltar, faz do ser humano um vitorioso; assim está documentado na história da humanidade através de vidas que comprovaram o valor dos poderes referidos.
 
O medo é uma confissão que se faz a si mesmo de que se é incapaz.
 
Obviamente, não se deve confundir cautela como medo; o imprudente não é um capaz, como o cauteloso não é um covarde.
 
Cada passo em direção ao sucesso demanda ser medido, mas, nunca deve deixar de ser dado; mesmo realizando positivamente pouco a cada dia, se mais não puder ser realizado, nunca se deve deixar de algo benéfico fazer sempre.
 
Nunca se deve esquecer que se é parte de uma obra imensurável e como componente da mesma não se está disjunto; sentir-se desamparado, imaginando-se isolado e sozinho é alhear-se à realidade; o que de nós é requerido, isto, sim, é a participação, sem temores, com muito amor e sabedoria, com intenso trabalho, em reflexões permanentes.
 
O medo, a dúvida emocional, é produto da ignorância dos fatores referidos.

Confiar no sucesso, mesmo antes que ocorra, é fator primordial para a vitória, pois, se de forma oposta nos situamos já nos derrotamos mesmo antes de lutar.
 
Seja no campo emocional, seja no racional, é preciso o exercício de “confiança”; a dúvida emocional enfraquece, e, a racional, mesmo justificável, pode perder-se pela ausência de crença no poder das soluções com o uso das forças que dispomos.
 
Mesmo quando em circunstância adversa passada se experimentou um fracasso diante de um fato, tal evento não deve servir de base para alimentar medo presente, nem impedir a crença de que se pode conseguir sucesso.

Segundo as neurociências a mente, por natureza, não separa passado de presente, realidade de fantasia, ou seja, não é programada para tais coisas, mas, permite associações de tais elementos; são essas relações que acumuladas no inconsciente podem determinar sensações de temor, fazendo-as presentes diante de determinadas circunstâncias.

Cientificamente, pois, a destruição das associações negativas é importante, ou seja, é preciso vencer o que se armazena de negativo; meio para isso é o admitir firmemente que não se está desamparado na vida, que se possui força suficiente para derrotar os temores, que se é parte de um grande complexo cuja presença plena se deve exercer através da vida consciente.
 
Na dupla face da dúvida uma importante coisa deve reger como lei magna o comportamento humano - a confiança, em toda a sua plenitude, materializada na crença quádrupla - em Deus, em si, na verdade, na vida.