Home Fale Conosco Curriculum Livros
Artigos
Pesquisas
Informativos
Matérias
Contato
Álbum de Fotos
Indique este Site
 

Valor real e valor pelo real

O julgamento das pessoas nem sempre se opera adequadamente.

A atribuição de valores pode ser injusta.

Em certas camadas da sociedade, por exemplo, se tende a qualificar como excelente, poderoso, quem tem um veículo importado, viaja em primeira classe, é diretor de transnacional, político, banqueiro ou autoridade eclesiástica.

Muitas pessoas medem o sucesso por esses aspectos.

Existe, sim, mérito em quem consegue êxito por haver conquistado poder ou riqueza, mas, admitir que se deva atribuir valor apenas pela medida de tais elementos é deveras errar do ponto de vista ético e humano.

Como tais privilégios de ordem material são desfrutados por minorias a classificação sobre os bem sucedidos e valorosos fica deveras resumida.

Atribuir, todavia, fracasso a quem não consegue ser rico ou comandante de pessoas é incorrer em erro.

Na singeleza, sem nenhum dos referidos atributos de poder, também existe expressivo valor humano.

A altivez do singelo, do verdadeiro, do sábio, não está em aparentar poder e riqueza.

Só a virtude tem condições de oferecer valor real; sem intenções parafrásticas poderia dizer que o valor real não se confunde com o valor pelo real (moeda).

Ao longo de minha carreira profissional conheci muitos seres que tiveram comando, riquezas, e, mais tarde, privados de tais coisas, finalmente reconheceram não ter conquistado coisa alguma e que o prestígio suposto deveras não existia.

Por outro lado, também, convivi com homens simples, verdadeiros, que terminaram seus dias em tranqüilidade, deixando toda uma obra de benevolência, sendo felizes com eles mesmos e tendo propiciado a felicidade alheia.

A realidade da vida mostrou-me que a verdadeira riqueza é aquela que ninguém consegue tirar-nos, por encontrar-se ligada à nossa alma, ao nosso estado de consciência.

O que se aparenta torna-se falso quando dentro de nós mesmos não encontra coincidência no que essencialmente somos.

Entre o “ser” e o “ter” o valor humano se encontra mais no primeiro que no segundo.

Isso não significa que devemos desprezar a intenção de ter, mas, sim, o reconhecimento de que o verdadeiro desfrute em possuir poder e riqueza só existirá se coincidir com o amor e a sabedoria no exercício dos privilégios materiais.

A conquista do poder e da riqueza sem a qualidade no uso virtuoso de tais fatores, ao contrário, tende a alimentar o vício e a malevolência.

Ninguém pode ser considerado um ente integral se deixar de associar o domínio material à capacidade espiritual da benevolência.

Valor é atribuição de qualidade e esta só se conquista pela efetivação entre o que aparentamos formalmente e o que em verdade somos essencialmente.