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Força da tolerância

Por paradoxal que possa parecer, sem ser um exercício de força, não se pode negar a força da tolerância.

Por mais ausente de si mesmo que esteja uma pessoa perante a consciência, ela não deixa de ter subconscientemente certa resistência ao que é imposto.

Essa a razão de possuir maior influência um relacionamento em que se percebe da outra parte maior disposição em consentir-nos liberdade de pensamento.

O livre arbítrio que nos é outorgado acaba por ser a porta aberta por onde pode penetrar, por nossa livre seleção, o pensamento de terceiros.

A tolerância é, pois, uma virtude apreciável que influi positivamente sobre as pessoas com as quais lidamos.

Tal postura ética não se deve confundir com passividade, nem com omissão, mas, sem dúvida é algo oposto à agressividade.

Mesmo quando se é moldado dentro de determinados princípios é preciso reconhecer que outros modelos existem e que para conviver é preciso respeitar a forma de ser de terceiros.

É possível modificar o comportamento alheio, não há dúvida, mas, isso deve ser feito com bons exemplos, de forma sábia, amena, com incentivos e não com medidas reacionárias e emocionalmente desequilibradas.

Exuberantes são os exemplos históricos de tal realidade, sobre os efeitos de uma sábia postura, inclusive de toda uma raça.

Muitos foram os povos que dominaram Portugal e que há mais de 2.800 anos levaram seus costumes para aquele País.

Fenícios, Celtas, Romanos, Visigodos, todos influíram sobre a cultura portuguesa, mas, nenhuma foi tão expressiva quanto a muçulmana, esta que se iniciou no século VIII de nossa era e permaneceu até o século XIII, quando os lusitanos se tornaram uma nação independente.

É certo que cada um dos dominadores levou seus modelos, mas, foi o da tolerância sábia dos árabes que conseguiu influir em todos os hábitos, inclusive introduzindo mais de mil vocábulos no idioma português.

Em vez de impor a forma de viver, a religião, os árabes apenas cobraram impostos de quem adotava credo diferente.

Em razão disso conseguiram, também se miscigenando racialmente, modificar a forma de viver em Portugal, inclusive a de alimentar.

Os muçulmanos se instalaram em Portugal no século VIII em face de problemas políticos havidos no reinado dos Visigodos (que desde o século V estavam presentes) então dominantes, estes que pediram apoio àqueles em razão de cisões na cúpula dirigente.

Os árabes quando chegaram sob o comando de Tarik, instalaram-se definitivamente e foram por meio milênio exercendo influências derivadas de um largo espírito de tolerância, inclusive religiosa.

A experiência histórica, aquela da vida, nos mostra que as coisas impostas, as reações violentas, a intolerância, não são as melhores formas de fazer com que terceiros possam aceitar os modelos que adotamos, a nossa forma de ser e viver.

Isso vale como princípio até nas coisas corriqueiras e de maior simplicidade como a maneira de se alimentar, por exemplo; a introdução de comida à base de carne, a predominância de certos temperos é predominantemente em Portugal de origem árabe como, por exemplo, a de um dos principais pratos do Alentejo a “açorda”.

Milagres são conseguidos, pois, com o exercício de uma paciente atitude, sem tumultos ou imposições.

É cedendo que conseguimos concessões.

Quanto mais respeito se dá, tanto mais se tende a recebê-lo.