Home Fale Conosco Curriculum Livros
Artigos
Pesquisas
Informativos
Matérias
Contato
Álbum de Fotos
Indique este Site
 

Limites nos relacionamentos

Antônio Lopes de Sá

Toda pessoa espera de nós alguma coisa.

Por outro lado, igualmente, sempre esperamos algo de outrem.
 
É dessa maneira que as relações humanas se operam.
 
Nessa forma de dar e receber se qualificam as pessoas.
 
Como possuímos nossos próprios modelos mentais são eles os que julgam a importância dos seres e determinam como que deles requeremos as coisas.
 
Muitas ligações entre pessoas se rompem por falta dessa coincidência entre o que é esperado e o que é oferecido.
 
Quem é muito exigente, perfeccionista, sem medir as limitações de terceiros, dificilmente sustenta amizades, uma sociedade e até mesmo um matrimônio.
 
Quem é muito liberal, de imensa boa fé, da mesma forma ao se contentar com tudo pode prejudicar a si mesmo e a terceiros.
 
Os extremos são posições radicais e tendem a não sustentar bons relacionamentos.
 
A melhor técnica de lidar com o nosso semelhante é a de estar sempre superando o que ele espera de nós no campo da virtude.
 
A tendência ao sobrepujar uma expectativa é a de que sejamos altamente qualificados, terminando por tornar-nos indispensáveis.
 
Se algumas pessoas deixam de reconhecer o nosso esforço adicional isso não implica deixar de fazê-lo; haverá sempre quem reconheça.
 
Importante é a utilidade virtuosa, aquela que contribui, independentemente de esperar compensação.
 
Ser útil é amar a vida, é valorizá-la pela doação benevolente correspondente à que nos foi outorgada pelo direito de existir.
 
Não somos autores de nossa existência, mas, respondemos por ela perante o destino, este que nos fez para exercer uma função de igual dignidade, ou seja, a da doação.
 
Recebemos para repassar o que nos foi entregue, ou seja, algo que tendo sido criado digno exige os mesmos efeitos; ou seja, a natureza do criado reclama identidade e reciprocidade perante o criador.
 
Se pensarmos a partir do que somos para imaginar o todo; se raciocinarmos como parcelas, deixaremos de ser consequência e sim nos imaginaremos como antecedência; portanto, entenderemos que somos nós quem tudo podemos e que formamos o todo e não que somos decorrência dele; tal sofisma é o que atribui a muitos seres a falaz idéia de que são autênticos deuses.
 
Partindo do particular para o geral, seguindo o raciocínio indutivo, observa-se que o “consequente” na ordem do tempo está ordem lógica da razão do “antecedente”, sendo este um preceito sobre a unidade da natureza das coisas e dos fatos; tal preceito, todavia, não tem consistência no campo da Metafísica.
 
A presunção do poder absoluto é uma ilusão que falece diante do tempo.
 
O imprescindível é raciocinar sobre a limitação de nossos modelos e que a evolução é uma superação constante sendo esta a finalidade cósmica, segundo a Astrofísica tem comprovado ser.
 
É possível, todavia, superar o que o destino oferece como oportunidade de ser útil, assim elevando-se em créditos perante os desígnios e mais recebendo em devolução.
 
Os notáveis na história da civilização foram seres que suplantaram a si mesmos, excedendo o que deles poderia ser esperado, sem nunca se entenderem como deuses, sem fazer da vitória ou de seus modelos uma imposição perante terceiros.
 
A grandeza do ser está em mensurar seu limite, em entender aquele de terceiros, em conciliar tais coisas sem inflexibilidade, procurando sempre superar as expectativas a respeito de sua atuação benevolente.